Os riscos da “Infantolatria”

Nos dias 01 e 02 de junho, o INSP deu sequência ao Programa de Formação de Pais, Professores e Estudantes 2015, proporcionando um encontro entre pais da Educação Infantil com educadores e a psicologa Kátia Bellis. A profissional abordou questões sobre a educação das crianças no dia a dia, discutindo as maneiras como os pais lidam com situações que, às vezes, não são tão fáceis.

Kátia Bellis, após 20 anos de consultório, reuniu material para dar suporte nesse bate-papo, possibilitando que todos pudessem expor suas angústias e receios de como lidar com as crianças sem as “infantolatrar”. O termo remete à uma idolatria em que as crianças são colocadas, onde todas os seus desejos e vontades devem ser atendidos, independente de qualquer outro fator. A psicóloga atentou que isso não é sinônimo de serem bons pais:”é necessário ensinar as crianças que nem tudo será como elas desejam. Suas vontades não podem estar acima das de seus pais.”, orienta.

A psicóloga explicou que esse tipo de atitude sempre é feita com a melhor das intenções. Algumas das vezes os pais querem dar aos seus filhos o que não puderam ter nas suas infâncias:”é normal que isso aconteça, e é para isso que os pais se dedicam em seus empregos. Porém, precisa haver uma dosagem nesse ponto. Tudo precisa ser dado na hora certa, por merecimento. As crianças têm que saber o motivo pelo qual estão ganhando e também pelo qual não estão ganhando. Isso também se aplica a permissão.”

O bate-papo fez-se necessário a partir de reuniões passadas, onde os profissionais do INSP percebiam algumas dificuldades encontradas por pais, na educação de seus filhos. A coordenadora da Educação Infantil, Vânia Rodrigues, afirma que os pais precisam de orientação, por mais que pensem estar fazendo o correto: “esse projeto se tornou necessário quando os professores perceberam a dificuldade que os pais tinham de lidar com seus filhos, mesmo querendo sempre o melhor para eles. A maioria achava estar fazendo tudo certo, mas era aí que estava o erro. O excesso faz a criança desconhecer os limites.”, concluiu.

A introdução do encontro foi feita com a leitura do texto “Mãe Desnecessária”, de Danuza Leão, que passa a mensagem de que em uma certa época da vida, a mãe precisa “tirar o filho de debaixo de suas asas.” O texto reforça que a boa mãe é aquela que prepara seus filhos para o mundo, que deixa de assumir os erros deles, mas que os preparou para que os assumam. É papel da mãe criar seu filho de uma maneira que ele se torne independente e confiante, precisando menos ainda dela, fazendo com que se torne mais “desnecessária”.

Kátia explicou aos pais o uso de três importantes fundamentos: constância, para que a criança leve a sério as orientações e instruções de seus pais, e também que fixe aquilo em suas cabeças. Coerência, para que as idéias transmitidas façam sentido e sejam bem compreendidas pelos filhos, tendo em vista que não se deve subestimar sua inteligência. E por último, a consequência, para que as crianças saibam que seu comportamento vai  gerar uma resposta, de acordo com suas atitudes. A psicóloga chama a teoria de orientação aos filhos como “Os Três C’s”.

Durante a reunião, os pais presentes puderam opinar sobre os temas abordados. A questão do “não” e do ato de chamar atenção das crianças gerou bastante questionamento entre os presentes. Em todas as famílias, o pai e a mãe adotam uma posição na educação de seus filhos. Uma mãe presente atentou para o fato de que, quem fica responsável pelas “broncas”, acaba ganhando uma imagem ruim:”nós viramos as madrastas e, os pais, os heróis dos filhos. É necessário haver um equilíbrio. Ambos precisam consolar quando for necessário e também dizer não. A criança não pode criar uma imagem ruim de nenhum dos dois.”

Um pai presente pareceu concordar que, na maioria das famílias, a mãe é sempre responsável pela parte mais difícil da educação das crianças: a restrição. Ele admitiu que as mães são mais firmes, enquanto os pais são mais maleáveis na tomada de decisões em relação aos filhos:”a parte da bronca é da mãe mesmo, eu só dou a ideia nele”, relatou o pai.

Exceto na parte difícil do “não”, onde só um não pode carregar essa responsabilidade, é interessante dividir as funções na educação dos filhos. No casal, cada um tem suas características pessoais e pode usar isso em benefício da educação da criança, fazendo ela compreender melhor alguns valores e deveres. A assistente de coordenação da Educação Infantil, Fernanda Cifali, crê que isso torna a função de educar mais completa: “acredito que nós, mulheres, temos mais aptidão para lidar com os detalhes, enquanto os homens, são melhores com planejamento. Por mais que a sociedade esteja moderna, é importante que cada um desempenhe seu papel, pelo bem dos filhos.”, opinou.

 

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