Somos do bem e somos a maioria!

Ao finalizar a manhã de sábado, que, na verdade, já era tarde de sábado, os mais de 400 pais, responsáveis e educadores que estiveram no Programa de Formação do INSP foram parabenizados pela palestrante Tania Zagury. “Vocês estão aqui e farão a diferença na vida de seus filhos. Somos do bem e somos a maioria sim!”, enfatizou Tania.

Foram duas palestras, na primeira, a temática abordou principalmente temas relativos à criação de crianças e, na segunda, voltou-se essencialmente aos adolescentes.

INS_4452No primeiro momento, nas duas palestras, Tania Zagury embasou histórica e teoricamente os presentes explicando temas como a “ampliação” e supervalorização da adolescência. A adolescência hoje, na nossa sociedade ocidental é uma fase criada. Até algumas décadas atrás não se falava em adolescência, era apenas criança e adulto. Nas sociedades primitivas, há um rito de passagem para quando as crianças começam a ter pelos e, a partir daí, passam a assumir as responsabilidades de adultos. Nossa sociedade criou uma forma de supervalorizar esse momento, ampliando-o. Houve um tempo em que considerava-se as mudanças corporais – externas – como o fator mais importante deste momento e hoje sabe-se que o mais importante são as mudanças internas – psicológicas.

Autora de dezenas de livros sobre o assunto, Tânia alertou aos pais para não confundirem autoritarismo com autoridade. “As pessoas confundem muito pais autoritários com pais com autoridade”, enfatizou. “Um pai que diz ‘Não! Aqui na nossa família ninguém usa drogas!’ é um pai de coragem, é um pai de autoridade. Como deve ser. Os filhos precisam.”

A palestrante ainda lembrou da dificuldade em por regras e autoridade em um ambiante onde isto nunca existiu. “A grande diferença está em você determinar quais são as regras de vida de sua casa. Isso deve começar desde cedo, de bebê. Querer ditar regras somente aos 11 anos, por exemplo, é um problema. Confiem: eles são capazes de administrar regras desde bebês!”

Os reflexos da atitude educativa dos pais foi explicada por Tania enfatizando os resultados na vida adulta. Uma criança sem regras, sem “nãos”, sem limites, sem frustrações será um adulto que espera que o mundo não tenha nenhum dessabor.

Um erro muito recorrente, segundo a experiência da palestrante, são pais repetirem com orgulho “não quero que meu filho passe pelo que passei. Ele terá de tudo. Trabalhará só quando adulto! Não passará necessidade, terá o que deseja!”. Segundo Tânia, surge nessa atitude uma inversão de valores ou até a ausência deles para a criança. “Não tenha medo e nem dúvida de que quanto mais cedo os filhos terem responsabilidades e até trabalharem melhor. Dentro de nossa legislação é claro” – enfatiza.

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“Dar limites não é proibir tudo, é dar mais ‘sins’do que ‘nãos’, é dizer sim sempre que possível e não sempre que necessário.”

Segundo a autora, a sociedade vem fazendo com que os próprios adolescentes acreditem que eles precisam mostrar determinado tipo de conduta. “É claro que existe uma parte fisiológica, por exemplo a variedade de humor é hormonal. Mas isso não significa que ele possa destratar alguém, prejudicar o outro” – alerta.

Ao final, a Tania Zagury esclareceu dúvidas e tirou fotos com os presentes além de autografar seus livros. Alguns deles, disponíveis na Biblioteca do INSP.

O INSP trouxe com exclusividade a educadora Tania Zagury, Mestre em Educação, Filósofa e autora de famosos livros sobre educação, dentre eles “Os Direitos dos Pais: Construindo cidadãos em tempos de crise”, “Escola sem conflito: parceria com os pais”, “Limites sem trauma, construindo cidadãos”, “Educar sem culpa, a gênese da ética” e “Sem padecer no paraíso, em defesa dos pais ou sobre a tirania dos filhos”. 

Fique ligado no site, no facebook e no aplicativo do INSP pois o Programa de Formação de Pais, Alunos e Professores do INSP ainda trará muitos momentos como estes.

 

Algumas frases ditas e explicadas com riqueza de detalhes por Tania Zaguri durante o Programa de Formação de Pais, Alunos e Professores do INSP.

  • A ausência dos limites, do “não”, das “regras”, é um dos principais fatores para o alongamento da adolescência.
  • Há uma crise ética. O argumento “os outros fazem”, “todo mundo vai”, “todos tem” não podem ser vistos como válidos.
  • Adolescentes são inseguros nessa idade. Eles tem medo de ser diferente do grupo. Cabe aos pais desmitificar essa ideia, explicar que isso não é verdadeiro pois as mensagens externas comunicam o contrário.
  • Dar limites não é proibir tudo. É explicar o que pode e o que não pode. É preciso dar mais “sins”do que “nãos”. É dizer sim sempre que possível e não sempre que necessário.
  • Escolha os seus “nãos” e use-os com racionalidade e segurança.
  • Desde sempre, a melhor forma de educar é o exemplo. Ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Não é viável dizer algo e fazer o contrário.
  • Há tempos atrás, só usava drogas quem tinha problema. Hoje, infelizmente, essa não é a realidade. A grande maioria usa pois resolveu experimentar. Esta “coragem” está muito ligada à falta de limites.
  • O jovem que não ouviu “nãos”, que não vivenciou a frustração, que acha que pode tudo, acha que pode não se viciar.
  • É necessário aprender a tolerar frustrações. Uma criança que não lida com frustrações. É um adulto que não reconhece o nem seu limite nem o do outro.
  • A baixa tolerância à frustração unida à incapacidade de adiar satisfação causa, a longo e médio prazos: ataques histéricos, não aceitação dos limites, falta de capacidade de concentração e agressões físicas.
  • Cuidado, uma criança não nasce pronta! É um ser em construção. Graças a Deus!
  • As ações educativas devem mostrar à criança a consequência de seus atos.
  • Recompensar é sempre melhor do que castigar. O que é normal e corriqueiro não necessita de recompensa. A recompensa não deve ser material. A recompensa deve ser seu incentivo e a própria conquista. Por exemplo, se a criança tirou nota alta, a própria nota alta é o prêmio. Que deve ser exaltado frente aos familiares, aos amigos etc.

 

 

 

 

Um comentário sobre “Somos do bem e somos a maioria!

  1. Valéria Picorelli Walter

    A Educação nos reserva um turbilhão de emoções. Este sábado, em especial, estava rodeada de responsáveis, educadores, Irmãs e profissionais do INSP com o mesmo desejo de aprender, refletir e conduzir nossos jovens ao caminho do bem.
    Algo transcendeu e ultrapassou as nossas expectativas. Emocionou e marcou. A atenção, o carinho e a receptividade que sempre tenho o prazer em receber de vocês, numa energia e corrente positiva, passaram para a Tania de tal forma, que ela transbordou de emoção. Eu acredito e aposto que a união família e escola fazem toda diferença. No segundo semestre, teremos outro encontro, tão especial quanto esse. Obrigada.

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